Dei por mim num destes dias rotineiros, onde o estudo se sobrepõe muitas vezes à vontade pura do espírito, a tocar, ou pelo menos a tentar,um belo e difícil Andante de Bach no meu violino...reparei então que o som saia...a afinação estava la também....mas sentia-me à mesma um pintor sem paisagem...uma senação de vazio interior...pousei cuidadosamente o violino sobre a cama e decidi que iria passar o resto da tarde num determinado lugar que adoro e que renunciava havia muito tempo em função do estudo.Estava movido pelas minhas pernas implacáveis (seria o coração?!?)...segui pelo caminho que elas ditaram...hesitei um pouco mas finalemnte toquei a campainha...senti um frio muito grande no peito e a porta abriu-se...duas personagens k não via ha imenso tempo apareceram como que por magia (sim porque já o facto de me imaginar lá dentro era por si só inacreditável)...estava bastante tenso e cansado e começei a "vomitar" exactamente as coisas que mais me preocupavam quando me perguntaram "Então por aqui? Ha imenso tempo que não te viamos!"...Depois umas das personagens disse-me: "Entra! Está à vontade na Casa..."
Juro que fiquei maravilhado com estas palavras...lentamente a minha alma estava a começar a cair na realidade...entrei.

De facto entrei bastante devagar mas a mim pareceu-me que estava a andar muito rápido para tudo o que os meus olhos queriam atingir, tudo o que o meu nariz queria cheirar, tudo o que eu meu coração queria abarcar...
De repente suge diante de mim a porta da capela.
Nao hesitei e fui direitinho a ela como se algo me possuísse.
Os meus olhos...as minhas pernas... os meus braços tudo me parecia nada no meio daquele tudo...corri para a beira do órgão(pode dizer-se que corri pois tinha vindo a andar imensamente devagar) e apertei umas partituras quaisquer que estava em cima com tanta força que as amarrotei um pouco...era eu...queria estar ali!!! E estava!
Sentei-me no chão num sitio onde não fosse mutio visivel e desordenadamente, sem pedir permissão, as lágrimas caiam naturalmente como se de algo normal se tratasse...fiquei não sei quanto tempo ali a olhar para tudo com um nó na garganta...eu estava ali, sim!
Podia sentir por baixo de mim, em cima ao lado....e dentro...a minha alma estava a transfigurar-se...levantei-me então benzi-me, mesmo não tendo rezado e ausentei-me daquela parte da Casa...dirigi-me então para o segundo andar como que aceitando um convite que me fora feito por um dos alguens que encontrei a porta: "Não queres falar?"
Sim eu queria....eu precisava...
começei a subir a obviamente não resisti ao impulso de entrar na parte dos pianos...aquele cheiro a cortiça...talvez...mas mais do que isso...as histórias que aquelas paredes contavam...
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Quando cheguei finalmente la a cima (obviamente que não ia andar de elevador pois ia preder todo o maravilhoso percurso) estava ele a porta a minha espera....avaçei, um pouco sem jeito, o imenso corredor e entrei....seguiram-se momentos de pura reflexão e partilha que não pretendo abordar aqui mas que fizeram as horas voarem mais depressa do que podia desejar...no fim lançei um olhar ao jardim e outro, junto com um aperto de mão, ao pe.Francisco, mesmo achando que não sabia como lhe agradeçer...e de facto não soube.
Desci todas as escadas da Casa contra a minha vontade, que era a de ir em busca de outros lugares mágicos que a Casa proporcionava...mas o relógio não perdoava e tinha que me fazer ao caminho...foi estranho sair de Casa...mas estava contente...pelo menos foi algo que me ocupou a cabeça durante toda uma longa viagem que fiz nesse mesmo dia..memórias! quem as não tem?...mas as boas...há poucas e normalemente todo o ser Humano ("que é o que há de ser") as preserva e sente um carinho muito especial de cada vez que as desperta...
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Hoje....hoje acordei normalmente...lembrei o Seminario como num dia qualquer...estava de novo no quotidiano...a caminho da escola estava tudo igual...nada tinha mudado....não não tinha....não na minha cabeça...
peguei no violino e começei de novo a tocar...estava tudo igual ou pior, porque era de manhã e mal tinha aquecido...desesperei...azedei...sentei-me...
não tinha vontade...lembrei-me então mais uma vez do plano de estudo para o dia...e a pausa ainda não era supostamente tão cedo...peguei no violino...e então a sala de estudo deu lugar a Capela as personagens da Casa iam aparecendo dispostas a minha volta...esparavam que eu tocasse?...não! ia sair mal!, pensei....mesmo assim deixei-me levar pela imaginação...pela magia e pela saudade....não sei como mas dos meus dedos brotou um sublime Andante da 2ª sonata de J.S.Bach para violino solo como nunca antes acontecera ou sentira...ao último acorde.. à ultima nota..à ultima vibração que se estinguiu...tudo desapareceu...mas o que tinha ouvido estva ali a pairar pela sala...estava ali fervendo ainda no meu peito...sorri e continuei o dia com uma paisagem á minha frente...peguei no pincel e pintei...
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